A CIDADE E AS SERRAS DE EÇA DE QUEIRÓS

     


O REALISMO EM PORTUGAL


A pintura realista de   Gustave Courbet Fonte: Wikipédia.


O Realismo surgiu para contrapor as ideias do Romantismo, ocorreu na segunda metade do século XIX, caracterizado por uma abordagem objetiva, ou seja, contrário ao subjetivismo do Romantismo. As manifestações literárias são críticas a burguesia, a igreja católica, a escravidão e aos preconceitos de sexualidade por meio da prosa do romance social, psicológico e de tese, refletindo o psicológico do ser humano na época.



SOBRE O AUTOR- EÇA DE QUEIRÓS


                     Eça de Queirós. Fonte: Wikipédia.                                                                                                                                        


José Maria Eça de Queirós (1845-1900), foi um importante escritor português vinculado à escola literária do Realismo. Nasceu em Póvoa de Varzim, Portugal, e faleceu em Neuilly, na França.

Eça de Queirós formou-se em Direito  na Universidade de Coimbra, exercendo as profissões de advogado e jornalista. Em 1870 recebe o cargo de administrador do conselho de Leiria, onde surge a inspiração para escrever uma de suas obras marcantes O Crime do Padre Amaro, publicada somente em 1875.

Ao seguir a carreira diplomática, foi nomeado cônsul de Portugal e representou o país  em Havana, Inglaterra e Paris.

Eça de Queirós inicia a carreira literária através da publicação de folhetins, os quais foram reunidos no livro póstumo Prosas Bárbaras (1905). 

Ao se opor às ideias do movimento romântico, suas obras contemplavam os traços e os ideais do movimento literário realista, através da escrita voltada para temas sociais,  com uma visão pessimista da sociedade burguesa e das relações entre classes sociais, por meio de uma linguagem objetiva com pitadas de sátira, ironia e humor. Escreveu romance, conto, textos jornalísticos, literatura de viagem e hagiografia.

As obras do escritor são divididas em três fases:

Primeira Fase:  Fase de experimentação, que ainda apresenta  influências românticas. Publicação de artigos e crônicas na Gazeta de Portugal entre os anos de 1866 e 1867.

Segunda Fase: O escritor desenvolve os traços que marcam o seu estilo e as suas obras neste período, como a sua crítica social à sociedade portuguesa. Principais obras desta fase: O Crime do Padre Amaro (1875); O Primo Basílio (1878) e Os Maias (1888).

Terceira Fase: Nesta fase, o escritor produz obras focalizadas não mais em criticar a burguesia portuguesa, mas que tenta construir uma nova visão sobre a sociedade portuguesa, baseada nos valores que anteriormente foram negados e criticados na sua segunda fase. O escritor realiza uma tentativa de reconciliação com Portugal. Uma das obras que marcam essa fase é A Cidade e as Serras (1901).



CONTEXTO HISTÓRICO

 

No final do século XIX, a capital Francesa era o centro da Belle Époque, período de grandes transformações culturais ocasionadas pelas novas descobertas e inovações tecnológicas que resultaram na segunda revolução industrial.  Foi nessa fase que surgiram os primeiros arranha-céus equipados com elevadores. A eletricidade deu ao europeu uma vida noturna; apareceram teatros, cinemas, restaurantes, hotéis e cabarés. A invenção do telégrafo e do telefone modificaram as formas de se comunicar. As locomotivas à vapor, os bondes elétricos, juntamente com o automóvel e o avião causaram uma grande revolução nos meios de transporte. 


  Cidade de Paris na Belle Époque. Fonte: Blog da Vanessa.



                                           Paris. Fonte: Monovisions.                                                                                                                                                               
    Cabaré Moulin Rouge. Fonte: Conexão Paris. 


No campo das ideias predominava o positivismo, de Auguste Comte, que defendia a ideia de que o estudo científico era a única forma verdadeira de conhecimento. A ciência era vista como algo que resolveria os problemas da humanidade.



RESUMO DA OBRA


A cidade e as serras é um romance realista publicado em 1901, um ano após a morte do seu escritor, Eça de Queirós. Como o próprio título da obra já indica, o livro faz uma comparação entre a vida na cidade e no  campo. No qual, o narrador José Fernandes, amigo do protagonista Jacinto, faz duras críticas à vida agitada da cidade e valoriza a vida sossegada próxima a natureza.

Jacinto, herdeiro de uma família rica, cercado por tecnologias, teve que se mudar de Paris para uma cidade pequena chamada Tormes, no interior de Portugal. Pois ele recebeu a notícia que que o local em que estavam enterrados seus antepassados tinha sido soterrado e decidiu ir lá para resolver a situação. Jacinto então enviou sua mobília da França para Portugal com antecedência a sua viagem, mas quando ele chegou ao seu destino, sua mudança ainda não havia chegado e desde então, Jacinto teve que se acostumar com uma vida simples.

 Um belo dia, Jacinto acompanha uma criança pobre até a sua casa e fica impressionado com a pobreza da família do menino. Decide então melhorar as condições de trabalho dos seus funcionários e a infraestrutura do local. As pessoas então passam a ter uma certa devoção por ele.

Finalmente, Jacinto conhece Joaninha, com quem se casa e tem dois filhos.

Tempos depois a mobília de Jacinto chega a Tormes, mas ele guarda tudo no porão. Pois já era tarde, Jacinto já tinha aprendido a valorizar a natureza e abrir mão das tecnologias.


        A casa de Tormes  na actualidade. Fonte: Wikipédia.                                                                                                                              

   


A reconciliação com portugal:  nacionalismo

Para Jacinto, o homem só é superiormente feliz se for superiormente civilizado (positivismo). Sendo assim, a civilização somente se daria nas cidades, quando, por outro lado, a natureza seria aquela que reduz o homem à bestialidade. Para ele, não há possibilidade do homem afirmar sua superioridade se não estiver na cidade. A suma ciência versus suma potência resulta na suma felicidade.

 

Narrador:

"Jacinto, e eu, José Fernandes, ambos nos encontramos e acamaradamos em Paris, nas escolas do bairro latino"

- Tempo cronológico

- Primeira pessoa

- Narrador-personagem

- Narrador- secundário

 

Tempo:

- Partida do avô para a França

- Nascimento de Jacinto

- 23 anos amizade com José Fernandes

- Partida de Zé Fernandes para portugal

- Retorno do narrador a paris

- Reencontro com Jacinto

- Ida de Jacinto e Zé Fernandes a portugal

- Casamento de Jacinto

- Viagem a paris e volta definitiva a portugal

 

Espaço:

- Urbano: Paris

-Rural: Tormes

 

Personagens:

- Jacinto: protagonista, chamado pelo narrador de "o Príncipe da Grã-Ventura"

- José Fernandes (Zé Fernandes): narrador e amigo de Jacinto

- Dom Jacinto Galião: avô de Jacinto

- Cintinho (apelido de Jacinto): pai de Jacinto

- Grilo: criado de Jacinto em Paris

- Joaninha: prima de José Fernandes que se casa com Jacinto

-Tia Vicência: tia de José Fernandes

- Madame Colombe: Esta é uma prostitua de luxo com quem o narrador José Fernandes possui um caso de amoroso.

- Amigos de Jacinto em Paris: Grupo de pessoas hipócritas, de vida fútil e aparências, como Madame d’Oriol, amante de Jacinto.

- Amigos da serra: Pessoas que rejeitaram Jacinto por terem-no associado a um absolutista.

 

Sinopse:

A preocupação de Jacinto era defender o progresso, a civilização e a cidade grande. Achava que ser civilizado era enxergar o futuro. Em sua mansão havia muito luxo e modernidade depois passou a achar que  Paris era uma ilusão então decidiu visitar o amigo no campo, quando conhece uma camponesa, Joaninha, com quem acaba se casando e  tendo dois filhos. Porém em seu interior, o dilema existencial entre cidade versus campo ainda existia.

"Então compreendi que, verdadeiramente, na alma de Jacinto se estabelecera o equilíbrio da vida, e com ele a Grã-Ventura, de que tanto tempo ele fora o Príncipe sem Principado."

A ida de Jacinto às serras apresenta a síntese do romance. As serras em seu estado natural também apresenta males, como a fome e a miséria. Mas a intervenção civilizatória de Jacinto remedia a situação.

A suma potência da civilização oferece tantas possibilidades e tantos caminhos que o indivíduo não consegue ser feliz pois a tamanha oferta impede uma ação. Já a serra, com a sua natureza, é um convite para o desempenho. Porém, não dispõe dos aspectos positivos que a civilização oferta.

 










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